O advogado norte-americano Jeff Anderson lançou uma nova ação judicial contra a Cúria do Vaticano e o papa Bento XVI, no Estado de Wisconsin, acusando-os de encobrir os casos de abusos sexuais cometidos por um sacerdote pedófilo.
Depois de denunciar a Santa Sé no Oregon e no Kentucky, Anderson, um dos mais conhecidos advogados das vítimas do clero pederasta, abre um novo processo em nome de uma vítima do padre Lawrence Murphy, acusado de molestar 200 crianças surdas.
Na ação legal, dirigida a um tribunal de Milwaukee (em Wisconsin), o Papa, quando ainda era o cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e os cardeais Tarcisio Bertone e Angelo Sodano, são acusados de fraude e ocultação. (ANSA)
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Frattini defende atuação do Papa
O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, afirmou, em entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, que admira Bento XVI pela sua atuação contra a pedofilia.
O Papa "tomou iniciativas muito importantes" e "reagiu imediatamente", reafirmando o papel crucial da Igreja, opinou Frattini nesta terça-feira, ao ser questionado sobre os recentes casos de abusos contra menores que envolveriam membros da Igreja Católica.
Frattini também acrescentou que "a pedofilia é um dos crimes mais horríveis", mas considerou que o Pontífice "não foi lento", como apontam alguns veículos da imprensa.
Como exemplo, ele recordou o encontro recente entre Bento XVI e oito vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos, ocorrido no último fim de semana em Malta.
Antes deste, o Papa já manteve reuniões com grupos de vítimas de Estados Unidos e Austrália, durante visitas apostólicas a esses países. No Vaticano, ele também recebeu uma delegação de canadenses.
Ainda na entrevista, Frattini também foi questionado sobre a atuação do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, no âmbito internacional.
Para ele, "os meios de comunicação internacionais às vezes fazem confusão" com o caráter pessoal do premier. Ao mesmo tempo, o chanceler afirmou que "não é difícil representar a Itália".
Na política externa, Frattini disse seguir "a mesma linha do premier", recordando que "os eleitores do país conhecem Berlusconi melhor" do que a mídia internacional, já que o chefe de Governo cumpre atualmente o seu terceiro mandato.
Os italianos "decidem com base nos resultados do governo", que "são bons", continuou o ministro.
Sobre a presença de tropas italianas no Afeganistão, Frattini ratificou o "compromisso" para ajudar esse país "enquanto não forem derrotados o terrorismo e o Taliban".
Segundo ele, a opinião pública entende que os soldados também atuam para garantir "a segurança da Itália e da Europa". A Itália é um dos países que participam da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês).
(ANSA)
O Papa "tomou iniciativas muito importantes" e "reagiu imediatamente", reafirmando o papel crucial da Igreja, opinou Frattini nesta terça-feira, ao ser questionado sobre os recentes casos de abusos contra menores que envolveriam membros da Igreja Católica.
Frattini também acrescentou que "a pedofilia é um dos crimes mais horríveis", mas considerou que o Pontífice "não foi lento", como apontam alguns veículos da imprensa.
Como exemplo, ele recordou o encontro recente entre Bento XVI e oito vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos, ocorrido no último fim de semana em Malta.
Antes deste, o Papa já manteve reuniões com grupos de vítimas de Estados Unidos e Austrália, durante visitas apostólicas a esses países. No Vaticano, ele também recebeu uma delegação de canadenses.
Ainda na entrevista, Frattini também foi questionado sobre a atuação do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, no âmbito internacional.
Para ele, "os meios de comunicação internacionais às vezes fazem confusão" com o caráter pessoal do premier. Ao mesmo tempo, o chanceler afirmou que "não é difícil representar a Itália".
Na política externa, Frattini disse seguir "a mesma linha do premier", recordando que "os eleitores do país conhecem Berlusconi melhor" do que a mídia internacional, já que o chefe de Governo cumpre atualmente o seu terceiro mandato.
Os italianos "decidem com base nos resultados do governo", que "são bons", continuou o ministro.
Sobre a presença de tropas italianas no Afeganistão, Frattini ratificou o "compromisso" para ajudar esse país "enquanto não forem derrotados o terrorismo e o Taliban".
Segundo ele, a opinião pública entende que os soldados também atuam para garantir "a segurança da Itália e da Europa". A Itália é um dos países que participam da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês).
(ANSA)
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Bento 16 comemora cinco anos de pontificado em meio a maior crise da Igreja Católica na era moderna
Em meio a uma das maiores crises envolvendo a Igreja Católica na era moderna devido aos escândalos de abusos sexuais cometidos por padres, o papa Bento 16 completa nesta segunda-feira (19) cinco anos de pontificado.
Desde março, quando começaram a salpicar as denúncias sobre os abusos em diversos países, igreja e papa têm sido duramente criticados pela imprensa internacional por abafarem os casos e por não punirem os padres pedófilos.
“A igreja vive numa crise como ela só viveu no século 19 com o pensamento moderno, com os avanços da ciência. Foi uma crise institucional muito forte. Depois teve uma crise menos forte, mas que durou muito tempo, e que levou ao Concílio Vaticano 2º em 1962. Mas a de agora é uma crise de adaptação ao mundo pós-moderno”, afirma o religioso Frei Betto.
A opinião de Frei Betto, um dos maiores expoentes da Teologia da Libertação no Brasil, movimento fortemente combatido pelo então cardeal Joseph Ratzinger (nome de batismo de Bento 16), também é defendida pelo vaticanista Marco Politi.
“Não me lembro de um pontificado da era moderna que tenha vivido uma crise maior do que esta”, reconheceu Politi à agência de notícias AFP. “Tantas controvérsias acabaram por dividir os católicos, que sentem que a igreja está dividida e não tem o mesmo poder de influência que existia com João Paulo 2º”, conclui.
As críticas feitas ao papa, porém, não se limitam aos casos de abusos sexuais cometidos por padres. Especialistas ouvidos pelo UOL Notícias avaliam que Bento 16 tem sido um líder pouco carismático, “desengonçado” ao se relacionar com as pessoas, e conservador.
“Se esperava que ele fosse um papa desengonçado do ponto de vista do relacionamento com as pessoas e ele tem sido. De vez em quando dá uns foras. Fala coisa fora do protocolo de um chefe de Estado”, avalia Luiz Felipe Pondé, professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da Faap.
Para Pondé, o papa tem seguido a linha já adotada por João Paulo 2º. “O Bento 16 continua investindo em certos valores dos últimos 25, 30 anos importantes para a Igreja Católica, como o combate ao uso de preservativos e o investimento na ideia de família de caráter indissolúvel.”
“Nesses cinco anos ele ainda não mostrou a que veio em termos de implementação do Concílio Vaticano 2º de renovação da igreja. Pelo contrário, ele tem levantado o freio de mão da igreja adotando uma série de medidas como restauração de liturgias arcaicas tradicionalistas”, afirma Frei Betto.
Já para Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo e coordenador de projeto do Núcleo de Fé e Cultura, no pontificado de Bento 16 a figura do papa é vista mais como “um sábio enviado de Deus que indica os caminhos da igreja” e menos como o administrador da Santa Fé.
“Com o Bento 16, a Igreja Católica reaparece no cenário internacional como alguém que tem alguma coisa a dizer sobre os problemas no mundo inclusive com a capacidade de articulação intelectual e cultural para dialogar com todos os ambientes.”
Carismático?
Enquanto os especialistas ouvidos são unânimes em dizer que João Paulo 2º foi um papa muito carismático, há controvérsias com relação à simpatia do atual pontífice.
De acordo com o frade dominicano Frei Betto, “Bento 16 tem o azar de ser um papa carrancudo depois do carisma midiático do João Paulo 2º”. “Não considero o Bento 16 carismático. Eu diria até mais, eu acho ele anticarismático. Eu, como bom mineiro, fico com o pé atrás diante de pessoas que não sorriem”, afirma.
Entretanto, para o sociólogo Ribeiro Neto, Bento 16 é, sim, uma figura carismática. Segundo ele, desde o Concílio Vaticano 2º, a Igreja Católica deu início a um processo no qual o carisma do papa deixa de ser um atributo da personalidade do cardeal e passa a ser algo inerente ao cargo.
“João Paulo 2º era um personagem extremamente carismático que você nunca consegue saber onde começava o carisma pessoal e onde estava o perfil do cargo”, afirma Ribeiro Neto. “O cardeal Ratzinger não é um homem muito carismático, que viaja muito, que apareça como uma grande liderança política. Já o papa Bento 16 assume várias dessas características. Inclusive ele é uma figura carismática. Não tem o carisma de João Paulo 2º, mas é uma figura carismática”, defende.
Polêmico
Bento 16 também tem sido criticado por algumas frases polêmicas. Com pouco mais de um ano de pontificado, o papa citou, em uma universidade na Alemanha, a crítica de um imperador bizantino do século 14 ao Islã –de que todas as coisas que Maomé trouxe foram “más e desumanas”– para afirmar que a violência era “incompatível com a natureza de Deus”. Mais tarde o papa se disse “profundamente sentido” por ter ofendido a sensibilidade dos muçulmanos.
Enquanto que, para Frei Betto, Bento 16 tem “sido muito infeliz no diálogo com outras religiões”, para o Ribeiro Neto, há uma segunda intenção por trás de algumas frases.
“O Bento 16 tem uma capacidade muito grande de diálogo. Inclusive tem uma capacidade de usar, não de forma calculada, certos escândalos como provocação para um diálogo maior. O grande problema que acontece é que, frequentemente, o que a mídia fica sabendo é apenas aquele momento de provocação do escândalo. Já as consequencias não costumam aparecer”, defende o sociólogo. De acordo com Ribeiro Neto, dessa polêmica envolvendo o papa, surgiu um diálogo muçulmano-cristão.
Uol Noticias
Desde março, quando começaram a salpicar as denúncias sobre os abusos em diversos países, igreja e papa têm sido duramente criticados pela imprensa internacional por abafarem os casos e por não punirem os padres pedófilos.
“A igreja vive numa crise como ela só viveu no século 19 com o pensamento moderno, com os avanços da ciência. Foi uma crise institucional muito forte. Depois teve uma crise menos forte, mas que durou muito tempo, e que levou ao Concílio Vaticano 2º em 1962. Mas a de agora é uma crise de adaptação ao mundo pós-moderno”, afirma o religioso Frei Betto.
A opinião de Frei Betto, um dos maiores expoentes da Teologia da Libertação no Brasil, movimento fortemente combatido pelo então cardeal Joseph Ratzinger (nome de batismo de Bento 16), também é defendida pelo vaticanista Marco Politi.
“Não me lembro de um pontificado da era moderna que tenha vivido uma crise maior do que esta”, reconheceu Politi à agência de notícias AFP. “Tantas controvérsias acabaram por dividir os católicos, que sentem que a igreja está dividida e não tem o mesmo poder de influência que existia com João Paulo 2º”, conclui.
As críticas feitas ao papa, porém, não se limitam aos casos de abusos sexuais cometidos por padres. Especialistas ouvidos pelo UOL Notícias avaliam que Bento 16 tem sido um líder pouco carismático, “desengonçado” ao se relacionar com as pessoas, e conservador.
“Se esperava que ele fosse um papa desengonçado do ponto de vista do relacionamento com as pessoas e ele tem sido. De vez em quando dá uns foras. Fala coisa fora do protocolo de um chefe de Estado”, avalia Luiz Felipe Pondé, professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da Faap.
Para Pondé, o papa tem seguido a linha já adotada por João Paulo 2º. “O Bento 16 continua investindo em certos valores dos últimos 25, 30 anos importantes para a Igreja Católica, como o combate ao uso de preservativos e o investimento na ideia de família de caráter indissolúvel.”
“Nesses cinco anos ele ainda não mostrou a que veio em termos de implementação do Concílio Vaticano 2º de renovação da igreja. Pelo contrário, ele tem levantado o freio de mão da igreja adotando uma série de medidas como restauração de liturgias arcaicas tradicionalistas”, afirma Frei Betto.
Já para Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo e coordenador de projeto do Núcleo de Fé e Cultura, no pontificado de Bento 16 a figura do papa é vista mais como “um sábio enviado de Deus que indica os caminhos da igreja” e menos como o administrador da Santa Fé.
“Com o Bento 16, a Igreja Católica reaparece no cenário internacional como alguém que tem alguma coisa a dizer sobre os problemas no mundo inclusive com a capacidade de articulação intelectual e cultural para dialogar com todos os ambientes.”
Carismático?
Enquanto os especialistas ouvidos são unânimes em dizer que João Paulo 2º foi um papa muito carismático, há controvérsias com relação à simpatia do atual pontífice.
De acordo com o frade dominicano Frei Betto, “Bento 16 tem o azar de ser um papa carrancudo depois do carisma midiático do João Paulo 2º”. “Não considero o Bento 16 carismático. Eu diria até mais, eu acho ele anticarismático. Eu, como bom mineiro, fico com o pé atrás diante de pessoas que não sorriem”, afirma.
Entretanto, para o sociólogo Ribeiro Neto, Bento 16 é, sim, uma figura carismática. Segundo ele, desde o Concílio Vaticano 2º, a Igreja Católica deu início a um processo no qual o carisma do papa deixa de ser um atributo da personalidade do cardeal e passa a ser algo inerente ao cargo.
“João Paulo 2º era um personagem extremamente carismático que você nunca consegue saber onde começava o carisma pessoal e onde estava o perfil do cargo”, afirma Ribeiro Neto. “O cardeal Ratzinger não é um homem muito carismático, que viaja muito, que apareça como uma grande liderança política. Já o papa Bento 16 assume várias dessas características. Inclusive ele é uma figura carismática. Não tem o carisma de João Paulo 2º, mas é uma figura carismática”, defende.
Polêmico
Bento 16 também tem sido criticado por algumas frases polêmicas. Com pouco mais de um ano de pontificado, o papa citou, em uma universidade na Alemanha, a crítica de um imperador bizantino do século 14 ao Islã –de que todas as coisas que Maomé trouxe foram “más e desumanas”– para afirmar que a violência era “incompatível com a natureza de Deus”. Mais tarde o papa se disse “profundamente sentido” por ter ofendido a sensibilidade dos muçulmanos.
Enquanto que, para Frei Betto, Bento 16 tem “sido muito infeliz no diálogo com outras religiões”, para o Ribeiro Neto, há uma segunda intenção por trás de algumas frases.
“O Bento 16 tem uma capacidade muito grande de diálogo. Inclusive tem uma capacidade de usar, não de forma calculada, certos escândalos como provocação para um diálogo maior. O grande problema que acontece é que, frequentemente, o que a mídia fica sabendo é apenas aquele momento de provocação do escândalo. Já as consequencias não costumam aparecer”, defende o sociólogo. De acordo com Ribeiro Neto, dessa polêmica envolvendo o papa, surgiu um diálogo muçulmano-cristão.
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sábado, 17 de abril de 2010
PEDOFILIA: PADRE ITALIANO É TRANSFERIDO DO BRASIL PARA MOÇAMBIQUE
O sacerdote italiano Clodoveo Piazza, naturalizado brasileiro e acusado de pedofilia pela Procuradoria do Brasil, foi transferido para Moçambique, onde vive em uma residência da ordem dos Jesuítas, publicou o jornal Folha de São Paulo.
Em 2009 a procuradoria acusou Piazza de abuso sexual no Estado da Bahia, onde também foi acusado de facilitar a exploração de crianças por estrangeiros.
Piazza vive há sete meses em Maputo, capital de Moçambique, onde negou as acusações e disse ser vítima de uma campanha "política".
A procuradora Maria Eugenia Vasconcelos disse à Folha que a maioria dos processos contra o padre jesuíta prescreveu.
Piazza chegou a exercer o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza na Bahia e foi premiado pelo seu trabalho na Organização de Ajuda Fraterna, em Salvador, capital da Bahia. (ANSA)
Em 2009 a procuradoria acusou Piazza de abuso sexual no Estado da Bahia, onde também foi acusado de facilitar a exploração de crianças por estrangeiros.
Piazza vive há sete meses em Maputo, capital de Moçambique, onde negou as acusações e disse ser vítima de uma campanha "política".
A procuradora Maria Eugenia Vasconcelos disse à Folha que a maioria dos processos contra o padre jesuíta prescreveu.
Piazza chegou a exercer o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza na Bahia e foi premiado pelo seu trabalho na Organização de Ajuda Fraterna, em Salvador, capital da Bahia. (ANSA)
Papa completa 83 anos em meio à grave crise
Por ELISA PINNA
- O papa Bento XVI chega hoje aos seus 83 anos de idade, a apenas três dias de completar cinco anos à frente do Vaticano, em meio a uma das mais graves crises da história contemporânea da Igreja Católica.
Desde o início de seu Pontificado, Joseph Ratzinger, um tímido professor de teologia nascido na Alemanha em 16 de abril de 1927, já sabia que a missão de suceder o popular João Paulo II não seria fácil, mesmo assim ele aceitou a incumbência no dia 19 de abril de 2005.
Ao longo desses cinco anos, Bento XVI teve alguns êxitos em sua "administração", mas tem sido marcado pelas duras críticas às atividades da Igreja, além de não ser compreendido pela opinião pública.
Em sua primeira aparição como Pontífice, após quase um quarto de século desempenhando no nada fácil cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (1981-2005), Ratzinger se autodenominou um "humilde servo nas vinhas do Senhor", qualidade que o acompanhou ao longo de seus pronunciamentos e manifestações.
Por outro lado, a figura do alemão de suave acento bávaro, que ama tocar partituras de Mozart no piano, não durou muito.
Seu primeiro discurso programado, pronunciado ante a Cúria Romana em dezembro de 2005, foi considerado o anúncio de um Pontificado conservador, até reacionário.
Desde então, ele enfrenta um desafio atrás do outro, uma polêmica depois da outra. Em 2006, em um discurso na Universidade de Regensburgo [Alemanha], no qual o Papa defendeu a ideia de uma fé religiosa que saiba usar a razão para neutralizar o perigo do fanatismo, causou um terremoto no mundo muçulmano. Na ocasião, ele fora criticado por recordar um diálogo de 1391, entre o imperador bizantino Manuel II e "um persa culto".
Um ano depois, em homenagem à tradição litúrgica que tanto adora, Bento XVI reabilitou a missa em latim, anterior ao Concílio Vaticano II, o que desatou a cólera dos judeus, que, depois, repudiaram a revogação da excomunhão do tradicionalista Richard Williamson -- beneficiado pela medida junto a outros três membros da ordem do arcebispo Marcel Lefebvre -- que em uma entrevista negou a existência das câmaras de gás no antigo campo de concentração de Auschwitz.
Alguns de seus discursos, como o pronunciado no Memorial do Holocausto de Yad Vashem, em maio do ano passado, também desiludiram a comunidade judaica, assim como a aprovação, no fim do mesmo ano, do Decreto das Virtudes de Pio XII.
Como se não bastasse as tensas relações "com os maiores irmãos da fé", o Santo Padre enfrentou a revolta de muitos governos, que não apreciaram suas palavras sobre a ineficácia do uso do preservativo na luta contra a Aids na África.
Contudo, seus colaboradores concordam que, mesmo triste com as polêmicas e críticas, Bento XVI não se preocupa com a evidente impopularidade e nem modificou suas convicções teológicas mais profundas.
Suas explanações, publicadas em forma de livros, são prova de sua dedicação e já lhe renderam recordes entre os autores mais renomados.
"Jesus de Nazaré" (2007), por exemplo, entrou na lista dos best-sellers, e suas três encíclicas, principalmente a terceira, "Caritas in Veritate" (2009), são consideradas verdadeiros manifestos econômico-sociais da atualidade.
Perante as crescentes denúncias de abusos sexuais cometidos contra menores no âmbito das entidades eclesiásticas, alguns o acusam de ter encoberto os crimes de pedofilia, na época em que fora arcebispo e cardeal.
Já outros sustentam que apenas depois de sua chegada a Roma a Igreja passou a adotar uma política de intransigência diante de tais acusações.
Agora, o Papa enfrenta o que se configura como um dos maiores desafios da Igreja: convencer o mundo e grande parte de seus fiéis que quer novas regras a uma entidade que ele mesmo criticou, por suas imperfeições e erros do passado, a começar pela queda da mais antiga e resistente norma: a do silêncio.
- O papa Bento XVI chega hoje aos seus 83 anos de idade, a apenas três dias de completar cinco anos à frente do Vaticano, em meio a uma das mais graves crises da história contemporânea da Igreja Católica.
Desde o início de seu Pontificado, Joseph Ratzinger, um tímido professor de teologia nascido na Alemanha em 16 de abril de 1927, já sabia que a missão de suceder o popular João Paulo II não seria fácil, mesmo assim ele aceitou a incumbência no dia 19 de abril de 2005.
Ao longo desses cinco anos, Bento XVI teve alguns êxitos em sua "administração", mas tem sido marcado pelas duras críticas às atividades da Igreja, além de não ser compreendido pela opinião pública.
Em sua primeira aparição como Pontífice, após quase um quarto de século desempenhando no nada fácil cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (1981-2005), Ratzinger se autodenominou um "humilde servo nas vinhas do Senhor", qualidade que o acompanhou ao longo de seus pronunciamentos e manifestações.
Por outro lado, a figura do alemão de suave acento bávaro, que ama tocar partituras de Mozart no piano, não durou muito.
Seu primeiro discurso programado, pronunciado ante a Cúria Romana em dezembro de 2005, foi considerado o anúncio de um Pontificado conservador, até reacionário.
Desde então, ele enfrenta um desafio atrás do outro, uma polêmica depois da outra. Em 2006, em um discurso na Universidade de Regensburgo [Alemanha], no qual o Papa defendeu a ideia de uma fé religiosa que saiba usar a razão para neutralizar o perigo do fanatismo, causou um terremoto no mundo muçulmano. Na ocasião, ele fora criticado por recordar um diálogo de 1391, entre o imperador bizantino Manuel II e "um persa culto".
Um ano depois, em homenagem à tradição litúrgica que tanto adora, Bento XVI reabilitou a missa em latim, anterior ao Concílio Vaticano II, o que desatou a cólera dos judeus, que, depois, repudiaram a revogação da excomunhão do tradicionalista Richard Williamson -- beneficiado pela medida junto a outros três membros da ordem do arcebispo Marcel Lefebvre -- que em uma entrevista negou a existência das câmaras de gás no antigo campo de concentração de Auschwitz.
Alguns de seus discursos, como o pronunciado no Memorial do Holocausto de Yad Vashem, em maio do ano passado, também desiludiram a comunidade judaica, assim como a aprovação, no fim do mesmo ano, do Decreto das Virtudes de Pio XII.
Como se não bastasse as tensas relações "com os maiores irmãos da fé", o Santo Padre enfrentou a revolta de muitos governos, que não apreciaram suas palavras sobre a ineficácia do uso do preservativo na luta contra a Aids na África.
Contudo, seus colaboradores concordam que, mesmo triste com as polêmicas e críticas, Bento XVI não se preocupa com a evidente impopularidade e nem modificou suas convicções teológicas mais profundas.
Suas explanações, publicadas em forma de livros, são prova de sua dedicação e já lhe renderam recordes entre os autores mais renomados.
"Jesus de Nazaré" (2007), por exemplo, entrou na lista dos best-sellers, e suas três encíclicas, principalmente a terceira, "Caritas in Veritate" (2009), são consideradas verdadeiros manifestos econômico-sociais da atualidade.
Perante as crescentes denúncias de abusos sexuais cometidos contra menores no âmbito das entidades eclesiásticas, alguns o acusam de ter encoberto os crimes de pedofilia, na época em que fora arcebispo e cardeal.
Já outros sustentam que apenas depois de sua chegada a Roma a Igreja passou a adotar uma política de intransigência diante de tais acusações.
Agora, o Papa enfrenta o que se configura como um dos maiores desafios da Igreja: convencer o mundo e grande parte de seus fiéis que quer novas regras a uma entidade que ele mesmo criticou, por suas imperfeições e erros do passado, a começar pela queda da mais antiga e resistente norma: a do silêncio.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Papa: Escândalos Marcam seu Aniversário
Bento XVI fará 83 anos no próximo dia 16 de abril e três dias depois (19) comemora o quinto aniversário de seu pontificado. Tudo em meio a uma das crises mais graves da história contemporânea da Igreja Católica, com um escândalo sem precedentes sobre casos de pedofilia vinculados a religiosos, que está repercutindo nas consciências dos fieis e abalando na base muitas estruturas e convicções eclesiásticas.
Cinco anos, todos em ascensão, para o Pontífice alemão, convidado pelo Conclave de abril de 2005 a suceder o carismático papa João Paulo II. (ANSA)
Cinco anos, todos em ascensão, para o Pontífice alemão, convidado pelo Conclave de abril de 2005 a suceder o carismático papa João Paulo II. (ANSA)
Sem citar pedofilia, Papa fala das funções dos padres
O papa Bento XVI afirmou que os padres levam "a luz de Deus" para as "confusões do nosso tempo", ao discursar na audiência geral desta manhã na praça São Pedro, no Vaticano.
Durante a cerimônia, dedicada ao sacerdócio, não foi feita nenhuma menção às recentes denúncias de pedofilia que recaem sobre a Igreja Católica.
Atualmente, há casos suspeitos de abusos sexuais cometidos por padres em diversos países, como Estados Unidos, França, Suíça, Noruega, Dinamarca, África do Sul, Reino Unido, Irlanda, Espanha, México, Itália, Canadá, Áustria, Holanda, entre outros.
Diante de cerca de 20 mil fiéis, o Pontífice destacou quais são as três principais funções dos sacerdotes: ensinar, santificar e ordenar, sendo que, de acordo com o Papa, a primeira missão é a principal.
"[Ensinar é, ndr.] uma tarefa particularmente importante, em uma época marcada pela plena emergência educativa, já que há uma grande confusão nas escolhas da nossa vida, e alguns questionamentos fundamentais, como 'para onde vamos? Quais são os valores verdadeiramente permanentes?", explicou.
Na mesma cerimônia, Bento XVI enviou uma mensagem à China, que nas últimas horas foi atingida por uma série de terremotos, os quais deixaram ao menos 400 mortos e 10 mil feridos.
"Rezo pelas vítimas e estou espiritualmente próximo das pessoas atingidas pela tão grave calamidade. Por isso, imploro a Deus que alivie o sofrimento deles e os encoraje nesta adversidade", disse o Papa.
(ANSA)
Durante a cerimônia, dedicada ao sacerdócio, não foi feita nenhuma menção às recentes denúncias de pedofilia que recaem sobre a Igreja Católica.
Atualmente, há casos suspeitos de abusos sexuais cometidos por padres em diversos países, como Estados Unidos, França, Suíça, Noruega, Dinamarca, África do Sul, Reino Unido, Irlanda, Espanha, México, Itália, Canadá, Áustria, Holanda, entre outros.
Diante de cerca de 20 mil fiéis, o Pontífice destacou quais são as três principais funções dos sacerdotes: ensinar, santificar e ordenar, sendo que, de acordo com o Papa, a primeira missão é a principal.
"[Ensinar é, ndr.] uma tarefa particularmente importante, em uma época marcada pela plena emergência educativa, já que há uma grande confusão nas escolhas da nossa vida, e alguns questionamentos fundamentais, como 'para onde vamos? Quais são os valores verdadeiramente permanentes?", explicou.
Na mesma cerimônia, Bento XVI enviou uma mensagem à China, que nas últimas horas foi atingida por uma série de terremotos, os quais deixaram ao menos 400 mortos e 10 mil feridos.
"Rezo pelas vítimas e estou espiritualmente próximo das pessoas atingidas pela tão grave calamidade. Por isso, imploro a Deus que alivie o sofrimento deles e os encoraje nesta adversidade", disse o Papa.
(ANSA)
60% dos religiosos pedófilos são homossexuais
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que 60% dos sacerdotes acusados de abusos sexuais são gays e sentem atração por adolescentes, segundo "um dado estatístico objetivo" recolhido pela Congregação para a Doutrina da Fé.
Questionado sobre as polêmicas causadas pelas declarações recentes do secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, quando este sugeriu uma possível relação entre homossexualidade e pedofilia, Lombardi citou declarações do promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, monsenhor Charles J. Scicluna.
Em uma entrevista ao jornal da Conferência Episcopal Italiana (CEI), L'Avvenire, Scicluna disse que "nos últimos nove anos (2001-2010) examinamos acusações sobre cerca de 3 mil casos de sacerdotes diocesanos ou religiosos, em relação aos crimes cometidos nos últimos 50 anos".
(ANSA)
Questionado sobre as polêmicas causadas pelas declarações recentes do secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, quando este sugeriu uma possível relação entre homossexualidade e pedofilia, Lombardi citou declarações do promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, monsenhor Charles J. Scicluna.
Em uma entrevista ao jornal da Conferência Episcopal Italiana (CEI), L'Avvenire, Scicluna disse que "nos últimos nove anos (2001-2010) examinamos acusações sobre cerca de 3 mil casos de sacerdotes diocesanos ou religiosos, em relação aos crimes cometidos nos últimos 50 anos".
(ANSA)
sábado, 10 de abril de 2010
Papa: disposto a encontrar com vítimas de pedofilia
papa Bento XVI está à disposição para manter "novos encontros" com pessoas que sofreram abusos sexuais de membros da Igreja Católica, informou hoje o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.
Lombardi, em entrevista à Rádio Vaticana, falou sobre o tema dos abusos sexuais cometidos por sacerdotes e disse que "muitas vítimas não buscam indenizações financeiras, mas ajuda interior", para ajudar a superar suas dolorosas histórias pessoais.
No contexto da atenção às vítimas, Lombardi retomou a carta pastoral aos católicos irlandeses, lida pelo Pontífice em 20 de março, e na qual ele afirma "estar disponível para novos encontros" e expressa "vergonha" pelos crimes de pedofilia cometidos por sacerdotes daquele país e acobertados por 60 anos.
"O papa Bento XVI, guia coerente no caminho do rigor e da veracidade, merece todo o respeito e o apoio dos que lhe endereçam amplos testemunhos de todas as partes da Igreja", apontou o porta-voz no texto veiculado pela Rádio Vaticana.
"Ele é um pastor à altura para enfrentar com retidão e segurança estes tempos difíceis, nos quais não faltam críticas e insinuações infundadas; sem preconceito, deve afirmar-se que se trata de um Papa que falou muito da verdade de Deus e do respeito à verdade", relatou.
O porta-voz da Santa Sé também comentou as punições que devem ser dirigidas aos padres pedófilos, paralelamente "à atenção às vítimas".
"É preciso continuar a implementar com firmeza os procedimentos corretos do julgamento canônico dos culpados e da colaboração com as autoridades civis, no que se refere à sua competência judiciária e penal, mantendo em vista as especificidades das normas e das situações nos diversos países", disse ele.
"Só assim se pode pensar em, de fato, reconstituir um clima de justiça e de plena confiança na instituição eclesial", completou Lombardi, afirmando que, aparentemente, o número de novas denúncias tem diminuído, o que seria resultado da atenção das dioceses no combate à pedofilia.
(ANSA)
Lombardi, em entrevista à Rádio Vaticana, falou sobre o tema dos abusos sexuais cometidos por sacerdotes e disse que "muitas vítimas não buscam indenizações financeiras, mas ajuda interior", para ajudar a superar suas dolorosas histórias pessoais.
No contexto da atenção às vítimas, Lombardi retomou a carta pastoral aos católicos irlandeses, lida pelo Pontífice em 20 de março, e na qual ele afirma "estar disponível para novos encontros" e expressa "vergonha" pelos crimes de pedofilia cometidos por sacerdotes daquele país e acobertados por 60 anos.
"O papa Bento XVI, guia coerente no caminho do rigor e da veracidade, merece todo o respeito e o apoio dos que lhe endereçam amplos testemunhos de todas as partes da Igreja", apontou o porta-voz no texto veiculado pela Rádio Vaticana.
"Ele é um pastor à altura para enfrentar com retidão e segurança estes tempos difíceis, nos quais não faltam críticas e insinuações infundadas; sem preconceito, deve afirmar-se que se trata de um Papa que falou muito da verdade de Deus e do respeito à verdade", relatou.
O porta-voz da Santa Sé também comentou as punições que devem ser dirigidas aos padres pedófilos, paralelamente "à atenção às vítimas".
"É preciso continuar a implementar com firmeza os procedimentos corretos do julgamento canônico dos culpados e da colaboração com as autoridades civis, no que se refere à sua competência judiciária e penal, mantendo em vista as especificidades das normas e das situações nos diversos países", disse ele.
"Só assim se pode pensar em, de fato, reconstituir um clima de justiça e de plena confiança na instituição eclesial", completou Lombardi, afirmando que, aparentemente, o número de novas denúncias tem diminuído, o que seria resultado da atenção das dioceses no combate à pedofilia.
(ANSA)
segunda-feira, 5 de abril de 2010
"IGREJA SE ARREPENDE DOS MALES CAUSADOS POR PEDOFILIA"
O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, afirmou que a Igreja Católica não nega as denúncias de pedofilia que envolvem seus membros, mas "se arrepende enormemente pelos males causados aos outros e a si mesma".
Em artigo publicado hoje (31) no jornal vaticano L'Osservatore Romano, o cardeal explicou que a instituição religiosa "não ensina a cometer crimes, não os aprova, não os encobre e deixa claro que todos devem responder pelos próprios atos perante Deus e as leis do homem".
Scherer falou também da existência de "uma ação organizada contra o papa Bento XVI para torná-lo responsável por todos os males".
Nos últimos meses, a Igreja Católica vem sendo alvo de denúncias de abuso sexual contra menores que envolvem seus membros em diversos países, entre os quais Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Brasil, Suíça e Itália.
O arcebispo de São Paulo convidou os católicos a "separarem o joio do trigo". "Criminalizar toda a Igreja não é justo, uma vez que os crimes foram cometidos por alguns religiosos e não por todos", apontou ele.
Quanto às denúncias feitas pela imprensa contra o Pontífice, são "notícias forçadas e instrumentalizadas. (....) Isto é injusto, inoportuno e provoca sofrimento", acrescentou.
As suspeitas afirmam que Bento XVI teria deixado de punir um sacerdote acusado de molestar 200 crianças surdas nos Estados Unidos e sabia que um padre pedófilo alemão retomara as atividades pastorais na Arquidiocese de Munique e Freising, na época comandada por ele.
Ambas as acusações foram repudiadas tanto pelos representantes da diocese como pelo Vaticano.
No entanto, Scherer declarou que é necessário reconhecer que a instituição tem falhas e que é preciso corrigi-las, assim como dita o Evangelho.
"Quando se apontam os defeitos na Igreja e em seus membros é porque se espera desta e de seus membros comportamentos e atitudes que tornem claros e perceptíveis os altos valores e ideias que ela prega e nos quais acredita", opinou Scherer.
"Os holofotes da mídia estão sobre todos os males e fraquezas da Igreja, como se toda ela estivesse mergulhada na crise. Toda pessoa bem intencionada sabe que não é assim. Devemos distinguir, e não projetar indevidamente os comportamentos reprováveis de alguns membros sobre toda a Igreja", concluiu o arcebispo de São Paulo. (ANSA)
Em artigo publicado hoje (31) no jornal vaticano L'Osservatore Romano, o cardeal explicou que a instituição religiosa "não ensina a cometer crimes, não os aprova, não os encobre e deixa claro que todos devem responder pelos próprios atos perante Deus e as leis do homem".
Scherer falou também da existência de "uma ação organizada contra o papa Bento XVI para torná-lo responsável por todos os males".
Nos últimos meses, a Igreja Católica vem sendo alvo de denúncias de abuso sexual contra menores que envolvem seus membros em diversos países, entre os quais Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Brasil, Suíça e Itália.
O arcebispo de São Paulo convidou os católicos a "separarem o joio do trigo". "Criminalizar toda a Igreja não é justo, uma vez que os crimes foram cometidos por alguns religiosos e não por todos", apontou ele.
Quanto às denúncias feitas pela imprensa contra o Pontífice, são "notícias forçadas e instrumentalizadas. (....) Isto é injusto, inoportuno e provoca sofrimento", acrescentou.
As suspeitas afirmam que Bento XVI teria deixado de punir um sacerdote acusado de molestar 200 crianças surdas nos Estados Unidos e sabia que um padre pedófilo alemão retomara as atividades pastorais na Arquidiocese de Munique e Freising, na época comandada por ele.
Ambas as acusações foram repudiadas tanto pelos representantes da diocese como pelo Vaticano.
No entanto, Scherer declarou que é necessário reconhecer que a instituição tem falhas e que é preciso corrigi-las, assim como dita o Evangelho.
"Quando se apontam os defeitos na Igreja e em seus membros é porque se espera desta e de seus membros comportamentos e atitudes que tornem claros e perceptíveis os altos valores e ideias que ela prega e nos quais acredita", opinou Scherer.
"Os holofotes da mídia estão sobre todos os males e fraquezas da Igreja, como se toda ela estivesse mergulhada na crise. Toda pessoa bem intencionada sabe que não é assim. Devemos distinguir, e não projetar indevidamente os comportamentos reprováveis de alguns membros sobre toda a Igreja", concluiu o arcebispo de São Paulo. (ANSA)
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